Fôz Coa 2010

Esta armação estabelece uma relação ambivalente: diversidade e unicidade. Foz Côa incide numa metáfora. Expressa o paralelismo da Pré-História com a realidade têxtil, tão remota como a humanidade. E o do tecido, fruto da necessidade social e da criatividade humana, com a tapeçaria contemporânea. Aqui foco e abordo a procura de uma raiz cúmplice, génese e continuidade no modo de pensar e de fazer/concretizar o tecido historiado – a tapeçaria. A sua expressividade ganha relevo quando continua a ser uma arte que utiliza técnicas e gestos muito antigos para revelar olhares muito actuais. Este todo é um exercício onde ensaio, a escala e a dimensão, infinito menos e infinito mais, é um diálogo entre teia e trama, densidades, espessuras, durezas, matérias, recorrendo a métodos tradicionais e singrando os caminhos da reinvenção. É assim o nosso tempo, um tempo de confluência de velhos e de novos registos, celebrando o Eu Individual e o Eu Coletivo. Assim o tempo e a humanidade avançam em salto.

Texto de Maria Altina Martins