Maria Altina Martins
______________________________________________________________________________________________
 

Foz-Côa, 2010

Esta armação estabelece uma relação ambivalente: diversidade e unicidade. Foz Côa incide numa metáfora. Expressa o paralelismo da Pré-História com a realidade têxtil, tão remota como a humanidade. E o do tecido, fruto da necessidade social e da criatividade humana, com a tapeçaria contemporânea. Aqui foco e abordo a procura de uma raiz cúmplice, génese e continuidade no modo de pensar e de fazer/concretizar o tecido historiado – a tapeçaria. A sua expressividade ganha relevo quando continua a ser uma arte que utiliza técnicas e gestos muito antigos para revelar olhares muito actuais. Este todo é um exercício onde ensaio, a escala e a dimensão, infinito menos e infinito mais, é um diálogo entre teia e trama, densidades, espessuras, durezas, matérias, recorrendo a métodos tradicionais e singrando os caminhos da reinvenção. É assim o nosso tempo, um tempo de confluência de velhos e de novos registos, celebrando o Eu Individual e o Eu Coletivo. Assim o tempo e a humanidade avançam em salto.

Texto de Maria Altina Martins


O Pastor, 2008
: O Pastor é figura mítica que simboliza o artista: este utiliza os materiais que o rodeiam para exprimir a sua arte e criatividade. Esta peça, de atitude contemporânea, tem cariz clássico. Embora bidimensional, considera-se tridimensional, por apresentar duas frentes: a tapeçaria e a tecelagem que a sustentam.

Vento, 2008: Vento, de teor tridimensional, evoca o côncavo e o convexo, a brisa e o vento em fúria, percorre todas as eras e relembra o caos e a ordem.

Ágora, 2004
: Traje de cena representativo da vida na urbe, para a peça A água de Olissipo a Lisboa, Anfiteatro Keil do Amaral, Lisboa (vestido por Carla Andrino).

União, 2008
: A roca e o fuso são elementos do processo mais arcaico da fiação, ainda hoje recriados para a urgência do quotidiano, tendo evoluído desde a busca do necessário até ao uso sofisticado; do trabalho em série a sério até ao único e irrepetível tecido historiado.

Jardim Suspenso, 2008
: Representa a multiplicidade cromática da natureza, tendo sido as lãs utilizadas tingidas com elementos florais.

O Pastor e a Flauta, 2008
: O Pastor é a figura mítica que simboliza o artista que utiliza os materiais que o rodeiam para exprimir a sua arte e criatividade, quer através da música quer do desenho. Esta peça, de atitude contemporânea, tem cariz clássico. Embora bidimensional, considera-se tridimensional, por apresentar duas frentes: a tapeçaria e a tecelagem que a sustentam.

Pergaminho, 2008:
é o titulo de uma tapeçaria feita a partir de uma pele de caprino ou ovino, preparada com alúmen, própria para nela se escrever. Pergaminhos são também títulos de nobreza. Esta peça é executada em materiais nobres como a prata e lembra a forma de um bico de pássaro. Os pássaros a construir os seus ninhos, a entrelaçar os paus, as penas, influenciam o homem a entretecer os fios originando a tecelagem.

Raízes, 2008:
é uma tapeçaria elaborada a partir de uma fisga e de um lápis: a fisga evoca o lúdico e a sobrevivência, ambas urgentes no quotidiano. Por outro lado e inversamente, a fisga pretende simbolizar o masculino e o lápis o feminino.

Fiar, 2008:
A roca e o fuso são elementos do processo mais arcaico da fiação, ainda hoje recriados para a urgência do quotidiano, tendo evoluído desde a busca do necessário até ao uso sofisticado; do trabalho em série a sério até ao único e irrepetível tecido historiado.

Lápis, Cúmplice e Índice, 2000:
Manufacturada na vertical, esta tapeçaria divide-se em duas partes em que a inferior é densa. Aqui se integra uma pedra em sílex, proveniente de Foz Côa, com que foram gravados os equídeos rupestres. A parte superior é formada por uma rede que indica as linhas, os riscos e os desenhos de referência paleolítica.

     

Maria Altina Martins | 2013 | Todos os direitos reservados